PERDIDO DENTRO DA IGREJA
Muitas vezes lemos a
parábola do filho pródigo e apenas nos atentamos para o que o filho pródigo
fez, porém não percebemos que o seu irmão não soube valorizar a posição de filho
e por isso também sofreu.
Hoje vamos falar sobre o irmão do filho pródigo.
E o seu filho mais velho
estava no campo; e quando veio, e chegou perto de casa, ouviu a música e as
danças.
E, chamando um dos
servos, perguntou-lhe que era aquilo.
E ele lhe disse:
Veio teu irmão; e teu pai matou o bezerro cevado, porque o recebeu são e salvo.
Mas ele se
indignou, e não queria entrar.
E saindo o pai,
instava com ele. Mas, respondendo ele, disse ao pai: Eis que te sirvo há tantos
anos, sem nunca transgredir o teu mandamento, e nunca me deste um cabrito para
alegrar-me com os meus amigos;
Vindo, porém, este
teu filho, que desperdiçou os teus bens com as meretrizes, mataste-lhe o
bezerro cevado.
E ele lhe disse:
Filho, tu sempre estás comigo, e todas as minhas coisas são tuas;
Mas era justo
alegrarmo-nos e folgarmos, porque este teu irmão estava morto, e reviveu; e
tinha-se perdido, e achou-se.
INTRODUÇÃO
1. Jesus contou três parábolas sobre a alegria
do encontro
a) A ovelha perdida que foi
encontrada – O pastor chama a todos para se alegrarem.
b) A moeda perdida que foi
encontrada – A mulher chama seus vizinhos para se alegrarem.
c) O filho perdido que voltou para casa – O pai oferece uma festa e se alegra.
Nessas três parábolas a única
pessoa que não está alegria e feliz é o irmão mais velho do pródigo.
2. No meio dessa festa do encontro, do
resgate, da salvação há uma voz que destoa
O filho mais velho está
triste, porque o Pai recebeu o filho pródigo com alegria.
O filho mais velho está
irado, porque o Pai é misericordioso.
O filho mais velho está do
lado de fora, enquanto o filho pródigo está dentro da Casa do Pai.
3. O perigo de se estar na Casa do Pai, dentro
da Igreja e ainda estar perdido
Esse filho representou os
escribas e fariseus que se consideravam santos e desprezavam os outros.
Esse filho representa aqueles
que estão dentro da igreja, obedecendo a leis, cumprindo deveres, sem se
enveredar pelos antros do pecado, pelos corredores escuros do mundo e ainda
assim, estão perdidos.
Ilustração: O jovem rico –
criado na sinagoga, cumpria os mandamentos, mas estava perdido.
I. VIVE DENTRO DA IGREJA, MAS
DESOBEDECE OS DOIS PRINCIPAIS MANDAMENTOS
Jesus ensinou que os dois principais mandamentos da lei são amar a Deus sobre todas as coisas e amar o próximo como a si mesmo.
Esse filho quebrou esses dois mandamentos: ele nem
amou Deus, representado pelo Pai e nem o seu irmão.
Ele não perdoou o Pai por
haver recebido o filho pródigo, nem perdoou o irmão pelos seus erros.
Há pessoas que estão na
igreja, mas não têm amor por Deus nem pelos perdidos. Estão na igreja, mas não
amam os irmãos.
II. VIVE DENTRO DA IGREJA, MAS ESTÁ CONFIADO
NA SUA PRÓPRIA JUSTIÇA
Ele era veloz para ver o pecado do seu irmão, mas não enxergava os seus
próprios pecados.
Ele era cáustico para condenar o irmão, enquanto via-se a si
mesmo como o padrão da obediência.
Os fariseus definiam pecado em termos de ações exteriores e não atitudes íntimas.
Eles eram orgulhosos de si mesmos. Como o profeta Jonas, esse filho mais velho obedecia ao Pai, mas não de coração.
Ele trabalhava com intensidade, mas não por amor.
III. VIVE DENTRO DA IGREJA, MAS NÃO É LIVRE
Ele não vive como livre, mas como escravo. Sua religião é rígida.
Ele obedece por medo ou para receber elogios.
Faz as coisas certas com a motivação errada.
Sua obediência não provém do coração.
Ele anda como um escravo (v. 29). O verbo é douleo = servir como escravo.
Ele nunca entendeu o que é ser
filho. Não usufruiu nem se deleitou no amor do Pai.
Ser crente para ele é um peso, um fardo, uma obrigação pesada.
Ele vive sufocado, gemendo como um
escravo.
Está na igreja, mas não tem prazer.
Obedece, mas não com alegria. Está na Casa do Pai, mas vive como
escravo.
IV. VIVE DENTRO DA IGREJA, MAS ESTÁ COM O
CORAÇÃO CHEIO DE AMARGURA
1. Complexo de santidade X Rejeita os
marginalizados – v. 29,30
Ele estava escorado
orgulhosamente em sua religiosidade, arrotando uma santarronice
discriminatória.
Só ele presta; o pai e o irmão estão debaixo de suas acusações
mais veementes.
Sua mágoa começa a vazar. Para ele quem erra não tem chance de se recuperar.
No seu vocabulário não tem a
palavra perdão. Na sua religião não existe a oportunidade de restauração.
2. Sente-se injustiçado pelo pai
Acusa o pai de ser injusto com ele, só porque perdoou o irmão.
Na religião dele não havia espaço para a
misericórdia, perdão e restauração.
Ele se achava mais merecedor que o outro. Sua religião estava fundamentada no mérito pessoal e não na graça.
É a religião da lei, do legalismo e não graça nem da fé que opera pelo amor.
3. Ele não perdoa nem restaura o
relacionamento com o irmão – v. 30
Ele não se refere ao pródigo
como irmão, mas diz: “Esse teu filho”.
A Bíblia diz que “quem não
ama a seu irmão até agora está nas trevas”.
Ele desconhece o amor. Ele
vive mergulhado no ressentimento. Ele vê seu irmão como um rival.
4. O ódio que ele sente pelo irmão não é menos
grave que o pecado de dissolução que o pródigo cometeu fora da igreja –
Galatas 5.19-21
¹⁹ Porque as obras da carne são manifestas, as quais são: adultério, fornicação, impureza, lascívia,
²⁰ Idolatria, feitiçaria, inimizades, contendas, ciúmes, iras, pelejas, dissensões, heresias,
²¹ Invejas, homicídios, bebedices, glutonarias, e coisas semelhantes a estas, acerca das quais de antemão vos declaro, como também já antes vos disse, que os que cometem tais coisas não herdarão o reino de Deus.
A bíblia fala sobre três
pecados na área da imoralidade e usa nove na área de mágoa, ressentimentos,
ira.
A falta de amor é um pecado
tão grave como o pecado da vida imoral e dissoluta.
5. O ressentimento o isolou do Pai e do irmão
Quando uma pessoa guarda
ressentimento no coração pelo irmão que falhou, perde também a comunhão com o
Pai.
Ele se recusa a entrar, fica
fora da celebração. Mergulha-se num caudal de amargura.
Ele diz para o Pai: “Esse teu
filho”. Mas o Pai o corrige e diz-lhe: “Esse teu irmão” (v. 30,31).
V. VIVE DENTRO DA IGREJA, NA PRESENÇA DO PAI,
MAS ANDA COMO SOLITÁRIO – V. 31
Ele anda sem alegria, sem amor, sem prazer. Vive na Casa do Pai, mas sente-se escravo.
Está na Casa do
Pai, mas não tem comunhão com ele.
Quantos estão na igreja, mas nunca sentem o amor de Deus, a alegria da salvação, o prazer de pertencer a Jesus, a doçura do Espírito Santo.
Vivem como órfãos: sozinhos, curtindo uma
grande solidão e insatisfação dentro da Casa do Pai.
VI. VIVE DENTRO DA IGREJA, MAS NÃO SE SENTE
DONO DO QUE É DO PAI – V. 31
1) Ele era rico, mas estava vivendo na miséria.
Muitos hoje estão vivendo um cristianismo pobre.
Vivem sem
alegria, sem banquete, sem festa na alma, trabalhando, servindo, mas sem
alegria;
2) Deus tem uma vida
abundante – João 10:10;
3) Deus tem rios de água viva
– João 7:38;
4) Deus tem as riquezas insondáveis do evangelho – Efésios 3:8-11; A mim, o mínimo de todos os santos, me foi dada esta graça de anunciar entre os gentios, por meio do evangelho, as riquezas incompreensíveis de Cristo, E demonstrar a todos qual seja a comunhão do mistério, que desde os séculos esteve oculto em Deus, que tudo criou por meio de Jesus Cristo; Para que agora, pela igreja, a multiforme sabedoria de Deus seja conhecida dos principados e potestades nos céus, Segundo o eterno propósito que fez em Cristo Jesus nosso Senhor,
5) Deus tem a suprema
grandeza do seu poder – Efésios 1:19;
6) Deus tem a paz que excede todo o entendimento – Filipenses 4:7; E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos pensamentos em Cristo Jesus.
7) Deus tem alegria indizível
e cheia de glória – 1 Pedro 1:8;
8) Deus tem vida de delícias
para a sua alma.
Esse filho não tem nenhum proveito na herança do Pai.
Ele nunca fez uma festa. Nunca celebrou com seus amigos.
Nem sequer um cabrito, ele comeu. Ele nunca saboreou as riquezas do
Pai.
Ele não tem comunhão com o
Pai: É como Absalão, está em Jerusalém, mas não pode fazer a face do Rei.
Ele está na igreja por
obrigação. Ele não toma posse do que é seu.
Ilustração: o homem que fez
um cruzeiro de Navio e levou o seu lanche. Vendo as pessoas comendo os pratos
mais deliciosos, guardou dinheiro para comer uma boa refeição no último dia. Só
então ficou sabendo que todos aqueles banquetes já estavam incluídos.
CONCLUSÃO
O mesmo Pai que saiu ao
encontro do filho pródigo para abraça-lo, sai para conciliar este filho (v.
31).
O remédio para esse filho era
o mesmo para o outro: confessar o seu pecado.
Mas ele ficou do lado de
fora. Agora perdido dentro da Casa do Pai.
Não fique do lado de
fora.
Venha e desfrute da festa que Deus preparou!!!
Abrs. Bp. Joao Rosado
Igreja Aguas Vivificantes IAV
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