Olhar no Espelho

Tiago, irmão do Senhor Jesus, tido como coluna da igreja em Jerusalém, apresenta-nos o seguinte:

Sejam praticantes da palavra e não somente ouvintes, enganando a vocês mesmos. Porque, se alguém é ouvinte da palavra e não praticante, assemelha-se àquele que contempla o seu rosto natural num espelho; pois contempla a si mesmo, se retira e logo esquece como era a sua aparência. Mas aquele que atenta bem para a lei perfeita, lei da liberdade, e nela persevera, não sendo ouvinte que logo se esquece, mas operoso praticante, esse será bem-aventurado no que realizar.” Tiago 1:22.25

A Bíblia associa, a bem aventurança à obediência aos mandamentos divinos.  

E podemos afirmar que está ligado à capacidade de entender o que a palavra de Deus diz a nosso respeito, daquilo que nós verdadeiramente somos.

Assim, Tiago, ao mencionar o ouvinte que não é praticante, o compara a quem se olha no espelho mas depois não se lembra de como é. 

Podemos presumir que o inverso também é verdadeiro: que o ouvinte que é praticante recorda com exatidão da imagem vista no espelho. 

Nessa alegoria, ouvir a palavra de Deus assemelha-se a contemplar o próprio reflexo. 

Lembrar-se ou não do que foi visto no espelho dependerá se a pessoa será ou não uma praticante da Palavra. 

A própria Bíblia afirma ser o verdadeiro espelho que revela nossa verdadeira identidade.

E como devemos nos enxergar?

1) Não somos aquilo que os nossos pais disseram que somos.

2) Nem tampouco aquilo que enxergamos no espelho natural, ou observando a história da nossa vida. 

Precisamos nos enxergar corretamente por meio de Deus, e isso só é possível quando olhamos através das lentes da revelação bíblica. 

A razão pela qual precisamos mergulhar no mais profundo das Escrituras não é apenas para se obter conhecimento doutrinário, informação; 

Por que, quanto maior o tempo gasto meditando na Palavra, melhor compreendemos quem o Senhor é e quem nós somos nEle.

Ao Ler a Bíblia, depararemo-nos com nossas limitações.

Que são parte do propósito desse exposição ao espelho; 

E isso acabará produzindo em nós um senso de dependência de Deus.

Logo encontraremos textos que nos mostram que neste mundo somos como Ele (cf. 1 João 4:17) entre outros que nos confortam e confrontam. 

Tudo isso, se revelado a nós, formará a nossa identidade.

Se queremos, de fato, ter a identidade constante transformada no Senhor, devemos estar em acordo com ele (cf. Amós 3.3). 

Isso significa que temos de nos enxergar exatamente como Deus nos vê

Pensar em nós como Ele pensa. 

Não podemos, à semelhança daqueles dez espias retornando de Canaã, dizer: “Éramos, aos nossos próprios olhos, como gafanhotos”. 

Entenda, Creia e declarar: 

Se Deus não me vê assim, então não aceito me enxergar de forma diferente daquela que Deus me vê”.

Para isso precisamos entender a perspectiva bíblica e, concordar com o Senhor. 

Isso se dá por meio da leitura e da meditação e reflexão das escrituras como em um processo de ruminação, regurgitando, mastigando um alimento mais de uma vez pra digerir melhor. 

É assim que a vaca faz, e acredito que esse seja um excelente exemplo a seguir com relação à Palavra de Deus. 

Ao refletir nas Escrituras, nós nos permitimos ser inspirados pelo que enxergamos nesse espelho bendito. 

E o que impacta a nossa compreensão de identidade afeta o nosso coração, e determina o curso da nossa vida.

Muitas pessoas perdem e deixam de viver a plenitude de Deus para suas vidas por nunca se enxergarem da maneira certa. 

Preferem se manter confortáveis e seguros dentro de suas cascas de inferioridade ou superioridade do que se abrirem para o tratamento divino. 

Tratar a identidade e o caráter nunca é tarefa fácil ou indolor, mas é o único caminho para os que desejam andar com Cristo verdadeiramente. 

Aliás, dentro disso, ouso dizer que quase nada é tão delicado e complicado para o cristão quanto o orgulho. 

A Bíblia diz que a soberba precede a queda Provérbios 16.18

E isso, creio eu, seja pelo fato de que, quando o Maligno não consegue parar alguém com uma autoimagem inferior, tenta levá-lo ao outro extremo. 

É por essa razão que devemos buscar o equilíbrio em Deus e, na compreensão da Sua Palavra. 

Não podemos nos imaginar grandes a ponto de querer ser ou fazer aquilo que não somos nem fomos chamados a fazer.

Os dez espias que se viam como gafanhotos morreram; Deus os julgou

Eles não entraram na Terra Prometida, e o restante daquela geração também não. 

Isso me faz concluir que a não compreensão da nossa identidade afetará o cumprimento do nosso propósito. Isso é muito sério. 

Gosto muito de ler a biografia de homens e mulheres que, em Deus fizeram história e foram ímpares em sua geração, e reconheço que um dos pontos em comum entre quase todos é que, em algum momento, eles conseguiram ter uma compreensão diferenciada de sua verdadeira identidade. Isso, consequentemente, levou-os ao cumprimento de um propósito igualmente diferenciado.

É necessário reconhecer o poder da autoimagem, seja a correta ou a errada. 

Josué e Calebe herdaram a terra porque viram a si mesmos como o Senhor os via, enquanto todos os outros que ficaram de fora, não. 

Isso deve ser o suficiente para trazer temor ao nosso coração.

E nos levar a investir na compreensão de nossa identidade.

De tal modo que possamos cumprir nosso propósito e chegar ao nosso destino.

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